Sais pelo sonho como de um casulo e voas
Sais pelo sonho como de um casulo e voas.
Com tal leveza podes percorrer o mapa
e ir e vir ao acaso, ar e nome:
como as borboletas.
Não és tu, mas a tua memória com asas.
E abrem-se os palácios,
e percorres os tesouros guardados,
e és sorriso e silêncio
e já nem precisas mais de asas.
Na noite encontras o dia, claro e durável.
Voas sobre séculos e horóscopos.
Ouves dizer que te amam
como ninguém jamais o poderia confessar.
Não tens idade nem tribo,
nem rosto nem profissão.
Podes fazer o que quiseres com palavras, harpas, almas.
E quando voltas ao teu casulo
já não tens medo nenhum da morte.
E em teu pensamento há néctar e pólen.
Cecília Meireles





2 comentários:
Cecília... sempre Cecília... voemos como fazem as borboletas e quem sabe um dia não sejamos a inspiração de um escrito assim?
Eu quero poesias do Firmino!!!!!!!!!!!!
Beijocas!
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