terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Meu povo, meu poema



Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova

No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar

No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro

Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil

Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta

Ferreira Gullar
 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Que país é esse?



 
“Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. São com esses versos escritos por Renato Russo e que ficaram conhecidos na canção “Que país e esse?” que começo mais um texto. Hoje todos aceitam o fato, inegável, de que o nosso país está passando por um processo muito complicado tanto economicamente quanto politicamente. E é com base nesse sentimento/entendimento que vou propor aqui uma reflexão sobre o atual momento pelo qual estamos passando.

O que nos espera se deixarmos de lado o nosso raciocínio, a nossa capacidade de dialogar racionalmente com pessoas que divergem de nossos pensamentos e nos cercamos apenas daqueles que nos são simpáticos nas ideias e ideais? O que será do nosso País se esquecermos da nossa História e simplesmente deixarmos de lado tudo o que já passamos em décadas e séculos passados? Será que teremos algum ganho real como sociedade, será que como uma nação seremos vitoriosos? O que esse momento reserva para o futuro da nação?

Esquerda contra a Direita, MDB contra a Arena, Capitalismo contra o Socialismo, Guerra Fria, “mal” contra o ”bem”. Será que não aprendemos nada com a História? Até quando iremos alimentar esse clima de estupidez e guerra ideológica que a cada dia ganha mais força? Até quando permitiremos que grupos organizados nos digam como agir e pensar? Até quando iremos permitir que os interesses particulares e escusos, de grupos seletos, ocultos ou não, nos influenciem e ditem como devemos entender a situação atual? É preciso questionar, é preciso refletir sobre isso.

Não nego para nenhum dos meus amigos e conhecidos que tenho uma orientação política de centro-esquerda, mas nem por isso deixo minha identidade ideológica e política eclipsar minha visão ou meu raciocínio. Essa reflexão que proponho não tem o objetivo explicito ou implícito de doutrinar, converter ou angariar pessoas para que pensem ou ajam do mesmo modo como eu. Não é por conta da minha identificação política que vou evitar ouvir, debater e conversar racionalmente com aqueles que tem uma visão política inversa à minha. Contudo sinto-me na obrigação moral de tentar trazer um pouco de luz e racionalidade para essa discussão. Pois somente com esse dialogo, com essa conversa inteligente e sem apegos ou barreias passionais é que iremos esclarecer e ser esclarecidos sobre os fatos que ocorrem a nossa volta e qual a melhor solução para essa situação. Isso pode parecer para alguns utópico, mas se olharmos para o passado da sociedade boa parte das maiores ideias e melhores soluções surgiram e foram desenvolvidas a partir de ideias utópicas.

Devemos lutar sim como sociedade organizada e de forma organizada, mas não contra o cidadão A, B ou C, muito menos contra as Instituições que democraticamente e a muito custo conseguimos erguer. Temos o dever e a obrigação de lutar racionalmente contra essa forma viciada que adotamos de fazer política para que a Constituição e suas instituições sejam respeitadas e sobrevivam a esse momento de turbulência pelo qual passamos. Temos que lutar, mesmo em posições ideológicas divergentes, para que o melhor para o Brasil aconteça, respeitando os direitos que tantos lutaram para que hoje usufruíssemos. Temos que lutar não por pessoas e ideias particulares, mas pela nossa Pátria amada e tão maltratada pelo seu povo para que quando surgir a pergunta que intitula esse texto possamos responder: Esse é o pais que eu amo e sinto orgulho de fazer parte!

Tonni Nascimento

sexta-feira, 4 de março de 2016

A adolescência alcoolizada, de quem é a culpa?




No Brasil, hoje, a maioria absoluta dos adolescentes é proibida de consumir bebidas alcoólicas. Digo a maioria, pois a adolescência vai até os 18, 19 anos de idade. Mas vou me ater apenas a parte que é proibida por lei e, infelizmente, ainda assim é consumidora das tais bebidas. Por qual ou quais motivos a sociedade permite que isso ainda aconteça? Será um mau-caratismo da sociedade ou sintomas de que ainda necessitamos de nos educarmos como um todo?

A todo o momento somos bombardeados com imagens, notícias, programas televisivos que nos apresentam jovens menores consumindo álcool. E, logo após, vemos especialistas sobre juventude e comportamento humano apresentar argumentos para explicar o fato e suas possíveis consequências para o jovem e a sociedade na qual ele está inserido.

E nós, qual a nossa posição perante isso? O que fazemos para que este erro seja corrigido e, aos poucos, erradicado da nossa comunidade? Temos o péssimo hábito, como sociedade, a culpar sempre o outro. Contudo quando iremos assumir a nossa parcela nos erros da nossa sociedade?

Quando, realmente, nos daremos conta do malefício que o consumo de álcool traz para os nossos jovens, iremos parar de aplaudir aqueles que ainda insistem no incentivo a esse consumo. Sim! Ainda hoje existem “responsáveis” que incentivam crianças a consumir bebidas alcoólicas. Ainda vemos pais e mães que molham a chupeta do filho no copo de cerveja e depois a colocam na boca do filho, ainda existem pais que insistem em dizer que o filho só irá transformar-se em homem depois que beber um ou mais copos de cerveja.

Quando, verdadeiramente, acreditarmos como sociedade que o consumo de álcool é prejudicial ao desenvolvimento físico e emocional dos nossos adolescentes iremos começar a fiscalizar os ambientes que eles frequentam. Quando assumirmos o controle realmente da educação dos nossos pequenos iremos cobrar da sociedade (de nós mesmos) o mesmo controle e cuidado que temos hoje com o consumo de cigarro.

Para que isso funcione é necessário apenas que nos conscientizemos da nossa responsabilidade no papel de pais e educadores. E passaremos, então, a instruir e educar nossos adolescentes sobre os malefícios e prejuízos que o consumo do álcool traz a um ser, como dito anteriormente, em plena construção física e psíquica e que, por muitas vezes, ainda não tem totais condições de decidir sobre si e sua vida. E quando esse dia chegar com certeza todos nós teremos um ganho com a nova conscientização e educação da sociedade.

Tonni Nascimento

sábado, 31 de outubro de 2015

A abelha



Para que a abelha, nossa irmã, produza
mel saboroso que, entre ceras, vaza,
há muita gente precavida que usa
plantar roseiras em redor da casa.

E é por isso, mortal, que a minha musa,
que, a te servir, por este sol que se abrasa,
só te oferece do cortiço e da asa
um mel, ou um pólen, que te amarga e acusa.

Não te queixes, portanto, se algum travo
Achares, sempre que um zumbido acene
a apressada fatura de algum favo.

O próprio inseto amolda-se ao suborno:
se não queres que a abelha te envenene
não lhe plantes mandrágoras em torno...

Humberto de Campos

sábado, 19 de setembro de 2015

Pés de galinha


 
Passei a infância toda
Achando que a minha mãe
Gostava de pés de galinha,
Comia com tanto gosto
Chupava até os ossinhos.

"Ninguém come os pés, são meus"- dizia
Toda a carne dividia
Peito, coxas e titela,
Fígado, coração e muela,
Mas os pés, os pés era só prá ela.

Depois de todos servidos,
Então sentava e comia.
Mas o tempo foi passando,
A criançada crescendo,
Os maiores trabalhando,
A vida foi melhorando.

Depois de uma infância dura
Começamos Ter fartura.
Vi minha mãe na cozinha
Tratando de uma galinha
E ao contrário de outrora
Flagrei aquela velhinha
Jogando os pezinhos fora

Ao notar o meu espanto
Aquele coração santo
Da minha doce mãezinha
Apressou-se em explicar:
"Nunca gostei do tal do pé de galinha"
É que a carne era tão pouca,
Prá tantas bocas não dava,
E prá você não ficar triste
Eu fingia que gostava."

Por Bernardo Alves

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Vou amar





Vou amar a quem estiver à minha volta,
tanto quanto os que não estão.
Vou amar a vida que tenho
e aquelas que anseio a chegada.
Vou amar os amigos que tenho
e os o inimigos que, por ventura, surgirem.
Vou amar a minha família
e os agregados que forem surgindo.

Vou amar os meus problemas
da mesma forma que as soluções.
Vou amar o meu trabalho
como amo os dias de folga.
Vou amar àquela com quem sonho
mesmo quando acordo sozinho.
Vou amar os seres humanos
como amo os animais.

Decisão que tomei para a vida:
Vou amar e ponto final.

Firmino Maya
 
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