quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Chuva




Ah! chuva
Me enlace tão doce e forte,
me molhe com beijos risonhos,
lavando minh’alma e meu corpo,
levando minhas dores e sonhos.

Ah! Chuva
Venha e leve para bem longe
momentos que não quero lembrar,
sonhos que eu não quero sonhar
e amores que não quero amar.

Ah! chuva
Caia e leve embora contigo
as dores do corpo que clama,
as dores da alma que sofre,
as dores do coração que ama.

Firmino Maya
 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cantiga para não morrer




Quando você for embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Ferreira Gullar

domingo, 15 de setembro de 2013

O bicho













“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem”.

Manuel Bandeira

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Demônios da noite



O Rio de Janeiro nos dias atuais serve como palco para uma estória de M. K. Takenaka. A Cidade Maravilhosa está, mais uma vez, repleta de bandidos e eles estão cada vez mais audaciosos.  A polícia faz o que está dentro de suas possibilidades para combatê-los, entretanto seus esforços parecem infrutíferos. Principalmente no morro do Tubarão, onde o crime é comandado por Hashid – o Demônio Persa, um vampiro na pior assepsia do termo. Um ser que há séculos vem sendo procurado, mas que encontrou o refúgio perfeito num morro carioca. Cleiton e Douglas, dois policiais, juntamente com seu comandante Toledo, fazem de tudo para enfrentar o crime. Quando as estórias do vampiro traficante e dos policiais se cruzam começa uma batalha entre o bem e o mau em que o leitor fica ansioso para chegar ao final sem vontade de parar de ler.

De uma forma ágil e incrivelmente envolvente Takenaka nos conta uma estória altamente fascinante e com uma agilidade que nos envolve e prende sem precisar utilizar os clichês de vampiros sedutores e irresistíveis. Muito menos a forma exageradamente romântica que temos atualmente sobre vampiros que podem andar sob a luz do sol como se fossem seres normais e que brilham sob essa luz. Takenaka descreve a vida de todos os personagens apresentando um perfil sem ficar enchendo o leitor de detalhes enfadonhos e sem importância para o desenrolar dos fatos.

Com o decorrer da narrativa outros personagens vão surgindo e nos apresentando surpresas sobre suas origens e também levantando questões sobre alguns nomes da história da humanidade o que deixa a estória ainda mais intrigante. Além da busca pela justiça que é o foco do livro uma outra questão é apresentada ao leitor: o destino da humanidade. O que os homens tem feito com o seu mundo e será que são dignos ou merecedores de continuar vivendo aqui, tamanha a quantidade de absurdos e desmandos assolam a humanidade nas ultimas décadas de negligências e omissões, não apenas das autoridades, mas da sociedade como um todo.

Demônios da noite nos apresenta uma estória que traz de volta o charme das estórias de vampiros como todas devem ser. Um suspense onde os vampiros são o que sempre devem ser: os predadores e nós suas presas. Mas nem por terem o poder de decidir sobre a vida de um homem deixam de ter um senso de respeito pela sua fonte de alimento e ética ao apenas matar para se alimentar e não por prazer sádico como temos feito em relação aos animais que nos servem de alimento. Esse respeito pelo sua fonte de alimento é que faz com que uma aliança inusitada seja feita entre alguns predadores e suas virtuais presas.

Demônios da noite um livro sobre vampiros para quem gosta de estórias realmente de vampiros e não romances “água com açúcar”.

Tonni Nascimento

quarta-feira, 31 de julho de 2013

As tuas mãos terminam em segredo.
Os teus olhos são negros e macios
Cristo na cruz os teus seios(?) esguios
E o teu perfil princesas do degredo...

Entre bruxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vento põe seu arrastado medo
Saudoso a longes velas de navios.

Mas quando o mar subir na praia e for
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,

Será o haver cais num mar distante...
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante!

Fernando Pessoa

sábado, 20 de abril de 2013

Soneto do teu corpo
















Juro beijar teu corpo sem descanço
Como quem sái sem rumo pra viagem
Vou te cruzar sem mapa nem bagagem
Quero inventar a estrada enquanto avanço

Beijo teus pés, me perco entre teus dedos
Luzes ao norte, pernas são estradas
Onde meus lábios correm a madrugada
Pra de manhã chegar aos teus segredos

Como em teus bosques, bebo nos teus rios
Entre teus montes, vales escondidos
Faço fogueira, choro, canto e danço

Línguas de Lua varrem tua nuca
Línguas de Sol percorrem tuas ruas
Eu juro beijar teu corpo sem descanço

Paulinho Moska

terça-feira, 16 de abril de 2013

Nova canção
















Abra as janelas do teu coração
Veja quantas cores à disposição.
Para colorir tua aquarela
Basta escolher as cores certas.

Ouça a melodia que a vida traz
Junte ao compasso do teu próprio ser.
E harmonize tudo com tua vida
Para construir um novo som

Você pode construir,
E também pode colorir
Já que tem em suas mãos
Tudo o que precisa
Pra compor essa canção.

Tonni Nascimento
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