As tuas mãos terminam em segredo.
Os teus olhos são negros e macios
Cristo na cruz os teus seios(?) esguios
E o teu perfil princesas do degredo...
Entre bruxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vento põe seu arrastado medo
Saudoso a longes velas de navios.
Mas quando o mar subir na praia e for
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,
Será o haver cais num mar distante...
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante!
Fernando Pessoa
Blog de escritos meus, de amigos e pessoas que eu admire.
"Tudo o que somos é o resultado dos nossos pensamentos."
Sidartha Gautama (Budda)
Sidartha Gautama (Budda)
quarta-feira, 31 de julho de 2013
sábado, 20 de abril de 2013
Soneto do teu corpo
Juro beijar teu corpo sem descanço
Como quem sái sem rumo pra viagem
Vou te cruzar sem mapa nem bagagem
Quero inventar a estrada enquanto avanço
Beijo
teus pés, me perco entre teus dedos
Luzes ao norte, pernas são estradas
Onde meus lábios correm a madrugada
Pra de manhã chegar aos teus segredos
Luzes ao norte, pernas são estradas
Onde meus lábios correm a madrugada
Pra de manhã chegar aos teus segredos
Como
em teus bosques, bebo nos teus rios
Entre teus montes, vales escondidos
Faço fogueira, choro, canto e danço
Entre teus montes, vales escondidos
Faço fogueira, choro, canto e danço
Línguas
de Lua varrem tua nuca
Línguas de Sol percorrem tuas ruas
Línguas de Sol percorrem tuas ruas
Eu
juro beijar teu corpo sem descanço
terça-feira, 16 de abril de 2013
Nova canção
Abra as janelas do teu coração
Veja quantas cores
à disposição.
Para colorir tua
aquarela
Basta escolher as
cores certas.
Ouça a melodia que
a vida traz
Junte ao compasso
do teu próprio ser.
E harmonize tudo
com tua vida
Para construir um
novo som
Você pode
construir,
E também pode
colorir
Já que tem em suas
mãos
Tudo o que precisa
Pra compor essa
canção.
Tonni Nascimento
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Teu olhar
Para Livia
Teu olhar assim enigmático
Teu olhar assim enigmático
Me comove, instiga, anima
Me corrompe, inspira,
fascina
Como o brilho das
estrelas no céu
Como a abelha produzindo
o mel.
Teu olhar assim tão
brilhante
Traz nova vida à natureza
morta
Me anima, envolve,
conforta
Como o brilho azul do
oceano fecundo
Com a força do amor
solene e profundo
Teu olhar tão intenso quanto
a luz
Irradia uma energia
simplesmente
E ilumina, a tua volta, o
ambiente
Como o sol a brilhar no
amanhecer
Me trazendo um mais doce
querer.
Firmino Maya
segunda-feira, 18 de março de 2013
Meu jardim
Tô relendo minha lida,
minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida,
Tô revendo minha vida,
minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças,
minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas,
Tô regando minhas folhas,
minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa,
minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa,
Tô soprando minha brasa,
minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas,
Tô bebendo minhas culpas,
meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas,
Escrevendo minhas cartas,
meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim
Estou cuidando bem de mim
Vander Lee
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Soneto nº 11
(Meu
pranto)
Quero transformar em santo
o
momento da dor, enquanto
me
cubro no seu doce manto
e
descanso com teu acalanto.
Eu
quero carinhar-te um tanto
e
dizer para o mundo, o quanto
te
quero, num verso, num canto
em
português, francês, esperanto.
Sussurrar
em teu ouvido o encanto
que
invadiu minh’alma de espanto
me
deixando em completo ataranto.
Mas,
para minha surpresa, no entanto,
ao
te ver renegar meu recanto
deixo
então correr livre meu pranto.
Firmino
Maya
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Canção
Nunca
eu tivera querido
dizer
palavra tão louca:
bateu-me
o vento na boca,
e
depois no teu ouvido.
Levou
somente palavra,
deixou
ficar o sentido.
O
sentido está guardado
no
rosto com que te miro,
neste
perdido suspiro
que
te segue alucinado,
no
meu sorriso suspenso
como
um beijo malogrado.
Nunca
ninguém viu ninguém
que
o amor pusesse tão triste.
Essa
tristeza não viste,
e
eu sei que ela se vê bem...
Só
se aquele mesmo vento
fechou
os teus olhos também...
Cecília
Meireles
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