quarta-feira, 31 de julho de 2013

As tuas mãos terminam em segredo.
Os teus olhos são negros e macios
Cristo na cruz os teus seios(?) esguios
E o teu perfil princesas do degredo...

Entre bruxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vento põe seu arrastado medo
Saudoso a longes velas de navios.

Mas quando o mar subir na praia e for
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,

Será o haver cais num mar distante...
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante!

Fernando Pessoa

sábado, 20 de abril de 2013

Soneto do teu corpo
















Juro beijar teu corpo sem descanço
Como quem sái sem rumo pra viagem
Vou te cruzar sem mapa nem bagagem
Quero inventar a estrada enquanto avanço

Beijo teus pés, me perco entre teus dedos
Luzes ao norte, pernas são estradas
Onde meus lábios correm a madrugada
Pra de manhã chegar aos teus segredos

Como em teus bosques, bebo nos teus rios
Entre teus montes, vales escondidos
Faço fogueira, choro, canto e danço

Línguas de Lua varrem tua nuca
Línguas de Sol percorrem tuas ruas
Eu juro beijar teu corpo sem descanço

Paulinho Moska

terça-feira, 16 de abril de 2013

Nova canção
















Abra as janelas do teu coração
Veja quantas cores à disposição.
Para colorir tua aquarela
Basta escolher as cores certas.

Ouça a melodia que a vida traz
Junte ao compasso do teu próprio ser.
E harmonize tudo com tua vida
Para construir um novo som

Você pode construir,
E também pode colorir
Já que tem em suas mãos
Tudo o que precisa
Pra compor essa canção.

Tonni Nascimento

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Teu olhar



Para Livia

Teu olhar assim enigmático
Me comove, instiga, anima
Me corrompe, inspira, fascina

Como o brilho das estrelas no céu
Como a abelha produzindo o mel.

Teu olhar assim tão brilhante
Traz nova vida à natureza morta
Me anima, envolve, conforta

Como o brilho azul do oceano fecundo
Com a força do amor solene e profundo

Teu olhar tão intenso quanto a luz
Irradia uma energia simplesmente
E ilumina, a tua volta, o ambiente

Como o sol a brilhar no amanhecer
Me trazendo um mais doce querer.



Firmino Maya

segunda-feira, 18 de março de 2013

Meu jardim



Tô relendo minha lida,
minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida,
minha luta, meus valores

Refazendo minhas forças,
minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas,
minhas faces, minhas flores

Tô limpando minha casa,
minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa,
minha brisa, meu anjinho

Tô bebendo minhas culpas,
meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas,
meu começo, meu caminho

Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim

Vander Lee

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Soneto nº 11



(Meu pranto)

Quero transformar em santo
o momento da dor, enquanto
me cubro no seu doce manto
e descanso com teu acalanto.

Eu quero carinhar-te um tanto
e dizer para o mundo, o quanto
te quero, num verso, num canto
em português, francês, esperanto.

Sussurrar em teu ouvido o encanto
que invadiu minh’alma de espanto
me deixando em completo ataranto.

Mas, para minha surpresa, no entanto,
ao te ver renegar meu recanto
deixo então correr livre meu pranto.

Firmino Maya

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Canção



Nunca eu tivera querido
dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.

Levou somente palavra,
deixou ficar o sentido.

O sentido está guardado
no rosto com que te miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no meu sorriso suspenso
como um beijo malogrado.

Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.
Essa tristeza não viste,
e eu sei que ela se vê bem...
Só se aquele mesmo vento
fechou os teus olhos também...

Cecília Meireles

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