quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Soneto nº 11



(Meu pranto)

Quero transformar em santo
o momento da dor, enquanto
me cubro no seu doce manto
e descanso com teu acalanto.

Eu quero carinhar-te um tanto
e dizer para o mundo, o quanto
te quero, num verso, num canto
em português, francês, esperanto.

Sussurrar em teu ouvido o encanto
que invadiu minh’alma de espanto
me deixando em completo ataranto.

Mas, para minha surpresa, no entanto,
ao te ver renegar meu recanto
deixo então correr livre meu pranto.

Firmino Maya

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Canção



Nunca eu tivera querido
dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.

Levou somente palavra,
deixou ficar o sentido.

O sentido está guardado
no rosto com que te miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no meu sorriso suspenso
como um beijo malogrado.

Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.
Essa tristeza não viste,
e eu sei que ela se vê bem...
Só se aquele mesmo vento
fechou os teus olhos também...

Cecília Meireles

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Intolerância ou falta de cidadania?



O Brasil é um Estado laico. Isso significa que os nossos dirigentes não devem se pautar, para tomadas de decisões, em dogmas religiosos. Até pouco tempo nosso país era oficialmente católico, mas com a promulgação da Constituição em 1988 tornou-se laico. Desde então o único livro a qual todas as instituições brasileiras e estrangeiras que aqui estão tem que seguir é a nossa Carta Magna.

Infelizmente nem todos os brasileiros tem vontade ou mesmo capacidade de agir como cidadãos de um Estado laico. Por isso ainda é necessário ter em nosso país datas especiais, com o objetivo de nos lembrar da necessidade do respeito aos outros. Dentre essas datas especiais temos no dia 21 de janeiro o dia nacional de combate à intolerância religiosa. Gostaria de dizer que essa data é desnecessária, mas como ainda não sabemos viver realmente em sociedade ainda necessitamos, e muito, dessas datas.

Em momentos como esse reflito sobre qual a direção queremos e estamos dando à nossa sociedade. Quem estamos escolhendo para decidir nossos destinos? Será que ficamos atentos ao que nossos representantes fazem se estão nos representando e respeitando? Se agem de acordo com a constituição? Vemos projetos de lei engavetados há anos no congresso por que a bancada A, B ou C é contrária ao projeto, quando na verdade deveriam preocupar-se com a nação e não com o grupo que os elegeu. E o que fazemos?

Há anos vemos no nosso país certos setores da sociedade serem preteridos dos seus direitos por conta da sua identidade religiosa enquanto outros são privilegiados. Será que esquecemos que pelo nosso país ser laico ele tem que ser dirigido de acordo com os preceitos de um único livro: a constituição federal e não por conta da dos livros primordiais de cada crença. Temos o direito de ter e professar um credo, mas esse direito tem que ser pautado no respeito ao direito do outro em ter e seguir a sua crença. E é por esse direito o de ser cidadão que todos devemos lutar, não importa se dirigentes ou não do país. 

Tonni Nascimento

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Solidariedade



Assisti há pouco um vídeo em que um filhote está “aprendendo a descer a escada” da casa de seus donos e um cão adulto fica por perto dando uma espécie de apoio moral. Após assistir o vídeo um comentário feito pela minha irmã me fez pensar em algumas coisas e, entre elas, a solidariedade. A solidariedade entre os homens – animais racionais e os animais ditos irracionais.

Solidariedade. Afinal de contas o que significa? Segundo o dicionário Michaelis é a condição grupal resultante da comunhão de atitudes e sentimentos, de modo a constituir o grupo unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face da oposição vinda de fora. Havia outras definições, mas esta foi a que melhor explica o que queremos trazer a reflexão dos amigos. “Comunhão de atitudes e sentimentos”. Em algum momento, de nossas vidas, nos colocamos em comunhão com um grupo ou uma atividade que trouxesse beneficio para os outros? Sem que não tivéssemos algum interesse particular, enfim fazer algo de produtivo e positivo sem esperar ter lucro.

Ao assistir o vídeo perceberemos que o cão adulto sobe e desce a escada para apoiar e incentivar o filhote a descer, mas também para protegê-lo caso algum acidente ocorra. E nós, quantas vezes fizemos isso? Em quais ocasiões deixamos as nossas preocupações de lado e nos predispomos a ser uteis a outrem. Infelizmente na nossa sociedade atual, em que estamos cada vez mais preocupados com o imediatismo, tenho certeza que poucas vezes fomos solidários a alguém.

Alguns dirão que fazem isso quando doam alimentos e utensílios para as vítimas das catástrofes naturais. Isso é bom, é um começo. Mas que tal aprofundarmos essa relação e doar um pouco mais? Mais do nosso tempo, da nossa atenção. Que tal visitar um lar de idosos, um hospital, dar mais atenção a quem está ao nosso redor.

Temos tanto para oferecer, não precisamos ter dinheiro ou posses para sermos solidários. Precisamos apenas sermos humanos, na acepção correta da palavra. Pois quando respeitamos, ouvimos, tratamos bem ou somos empáticos com o nosso próximo estamos sendo solidários, como todos deveríamos ser.

Tonni Nascimento

domingo, 30 de dezembro de 2012

Mais um ano que se vai e outro vem chegando



Mais um ano chegando ao fim enquanto outro se aproxima. Lembro-me quando era criança dos filmes e desenhos futurísticos que pintavam o mundo após o ano 2000 bem diferente do que vemos hoje. Quem tem mais de trinta anos vai lembrar dos “Jetsons”, desenho da dupla Hanna-Barbera que ilustrava como seria a vida no futuro. Pois bem passamos do marco dois mil e, aparentemente, o mundo continua o mesmo.

Nos últimos dias do ano o que tem de gente fazendo planos, traçando metas, nem temos como contar. Mas e você? O que você esteve fazendo nos últimos dias que influenciará a sua vida? hegando ao fim

Certas pessoas tem preconceito com o fato de outras estipularem metas, escreverem objetivos, projetos para o novo ano. Outras levam isso tão a sério que quando não as alcançam ficam frustradas e, por vezes, esse sentimento traz uma dose de impotência, fracasso.

Particularmente, com o passar dos anos e experiências vividas, tornei-me adepto de estipular metas. Contudo não as traço apenas para o novo ano, mas para um ciclo inteiro. Se não conseguir atingir a todas, paciência. Pelo menos conseguirei algumas e terei como pensar e avaliar onde errei e, se era mesmo necessário para minha vida conquistar o que planejei.

E por que traçar objetivos e metas? Algumas pessoas conseguem ter em suas mentes o que querem e onde querem chegar, sem precisar de um fator externo a impulsioná-las. Enquanto outras necessitam desse algo a mais, desse fator externo. E, por conta disso, elaboram suas metas, objetivos e os deixam em algum lugar que seja visível para, dessa forma, dia após dia serem lembradas de onde querem chegar e o que querem alcançar.

Se você é dessas que não precisa externar suas metas parabéns! Mas se você precisa escrever e vê-las todos os dias não se envergonhe, afinal de contas tem muitas pessoas assim como você. Tome notas, cole no seu guarda-roupas, mural, espelho, não importa onde. O importante é que você as faça acontecer e que elas sejam realmente boas para você e seu crescimento como pessoa.

Tonni Nascimento

azendo planos, traçando metas, revendo o que fez no ano que est mundo continua o mesmo.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Eu sou o obstáculo

Certa vez um cão estava quase morto de sede, parada junto à água. Toda vez que ele olhava seu reflexo na água, ficava assustado e recuava, por que pensava ser outro cão. Finalmente, era tamanha a sua sede, que abandonou o medo e se atirou para dentro da água. Com isso o reflexo desapareceu. O cão descobriu que o obstáculo, que era ele próprio, a barreira entre ele e o que buscava, havia desaparecido.

Nós estamos parados no meio do nosso próprio caminho. E, a menos que compreendamos isso, nada será possível em direção ao nosso crescimento. Se a barreira fosse alguma outra pessoa, poderíamos nos desviar. Mas nós somos a barreira. Nós não podemos nos desviar. Quem vai desviar-se de quem? Nossa barreira somos nós e nos seguirá como uma sombra.

Esse é o ponto onde nós estamos; juntos da água, quase mortos de sede. Mas alguma coisa nos impede, porque nós não estamos saltando para dentro. Alguma coisa nos segura. O que é? É uma espécie de medo. Porque a margem é conhecida, é familiar e pular no rio é ir em direção ao desconhecido. O medo sempre diz: “agarre-se àquilo que é familiar, ao que é conhecido”.

E as nossas misérias, nossas tristezas, nossas depressões, nossas angústias, nossos complexos, nos são familiares, são habituais. Nós vivemos com eles por tanto tempo e nos agarramos a eles como se fosse um tesouro. Esse é o caso de todos nós. Ninguém nos está impedindo. Apenas o próprio reflexo entre nós e o nosso destino, entre nós como uma semente e nós como uma flor. Não há ninguém mais impiedoso, criando qualquer obstáculo. Portanto, não continuemos a jogar a responsabilidade nos outros. Essa é uma forma de nos consolar, deixemos de nos consolar, deixemos de ter autopiedade. Fiquemos atentos. Abramos os olhos. Vejamos o que está acontecendo com a nossa vida. Escolhamos certo e decidamos dar o salto.

Autor desconhecido
Publicado originalmente em Pontos de vista em 10/07/2007.

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