sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Passo


Passo, passo, passo.
No pulsar desse compasso
Já nem sinto meu cansaço,
Muito menos o que faço
Só a sombra em meu encalço.

Passo, passo, passo.
Caminhando me desfaço
Dos anseios, meu cagaço,
E outra vez, na vida, traço
Um outro nó, um novo laço.

Passo, passo, passo.
Eu me construo, me refaço,
Numa viagem pelo espaço
Interior e me embaraço
Com as muralhas do meu paço.

Passo, passo, passo.
Então eu fujo, junto ao colaço
E a minha voz eu amordaço
Ouvindo o canto do sanhaço
Mais uma vez em ti me calço.

Passo, passo, passo.
Num dia fujo, no outro caço.
Burlando meu jeito crasso
Vou buscando o teu regaço
Um pós outro, um simples... Passo.

Firmino Maya

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Um modo

Estive pensando em você,
Em como construir, como mudar
Os meus sonhos, meu destino, meu amar.

Estive pensando num jeito,
Em como encontrar um modo
De poder ver o mundo através do teu olhar.

Para poder tentar entender
Os teus gestos, teus olhares, teus quereres,
E deixar de tentar adivinhar
Qual será tua reação a cada passo meu.

Estive pensando em você
No teu sorriso aberto, alegre.
Nos teus olhos enigmáticos e contagiantes.

Estive pensando num modo
Em como encontrar um jeito
De como poder te encontrar outra vez.

Para poder dizer o quanto senti
Ao tentar adivinhar o que irias pensar
Se te falasse que queria impedir o teu partir
Se eu não pudesse ir contigo ou te seguir.

Estive pensando num modo
De mais uma vez estar ao teu lado
Pra poder te abraçar, te sentir, carinhar.


Firmino Maya

sábado, 29 de novembro de 2008

Deixe

Deixe-me explorar teu corpo,
Conhecer tuas curvas e teus ângulos,
Os retos, os agudos, os oblíquos e os obtusos.

Deixe-me viajar na tua pele,
Correr por tuas curvas e tuas retas,
As longas, as curtas, as fechadas e as abertas.

Deixe-me te amar,
Te querer, seduzir, desejar.

Permita-se ser olhada,
Carinhada, curtida, desejada.

Por alguém que encontrou em ti
O porquê da caminhada
Do sorrir, do viver, do sentir.

Permita-se ser amada
Por mim.


Firmino Maya

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Quero ser um anjo!

Quero ser um anjo!

Não desses sem graça
Com suas brancas asas
Com suas belas túnicas
E nada mais para fazer.

Quero ser um anjo!

Não dos que vivem no céu
Dedilhando suas harpas
Cantando seus cânticos
De louvor ao eterno ócio.

Quero ser um anjo!

Não um desses loiros santos
Que já foram criados puros
Que nenhuma dor sentiram
Sem saber o que é ser humano.

Quero ser um anjo!

Não desses passíveis de queda
Muito menos insensíveis à dor
Que sintam um orgulho vulgar
E que nada busquem alcançar.

Quero ser um anjo!

Que lutou e venceu a batalha
Contra suas próprias loucuras
Um anjo puro de corpo e alma
Que mereça tal honraria.

Firmino Maya

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

“Carência”

Pra suprir uma carência
É preciso olhar em volta,
Não curar com a ciência
Pois que só o amor importa.

Firmino Maya

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Vozes

Quantas vozes
Passaram por nossos caminhos,
Quantas estão agora passando,
E quantas ainda estão por passar?

São vozes
Que clamam um pouco de afeto,
Que choram uma chance perdida,
Que amam sem medo de amar.

Quantas vozes
Que sonham em serem ouvidas,
Que buscam um ombro amigo,
Que querem ser mais reais?

Essas vozes
Cantadas, contadas ou mudas,
Que se fazem ouvir nas cidades,
Mas não se respondem jamais.

Quantas vozes
Cantarolam cantigas de amor.
Que soltam gemidos lascivos,
Ou murmuram lamentos de dor?

Tais vozes
Berradas em coros tão tristes.
Que imploram somente atenção
E você ouve como um mercador.

Firmino Maya

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

“Morte e vida”

Tornando a lembrança mais vida
E assim vou esquecendo da morte
Desse modo tornar mais garrida
Esse longo caminhar com a sorte.

Firmino Maya
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